sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Transbordar

É quando tudo converge e coincide
Sensações excedem o limite
E a saída é transbordar

É gosto forte que te exibe
Ácido, quente e então te acende
E pega fogo devagar

As cores parecem mais vivas
E toda a percepção vibra
E traz à tona e tira o ar

Não mais
Não quero mais dar brecha à fúria
Ou outro mal que me consuma
Eu quero mais do que se dá.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Ser do Tempo

Pálpebras escuras, olhos cansados quase fechando.
A boca seca, lábios colados nos cantos.
Corpo não sabe se pesa ou se sai voando.

Marcas do fim de uma saga, iniciada sem nenhum propósito,

Não planejada.

Ninguém diria que seria assim. Afinal, ninguém pode sequer dizer que sim, que será.
É tudo dele. A nós... o não saber.

O que tenho a dizer, sem precisar, só por querer,
É que vale se jogar em versos livres
Que num início quase morto ainda se vive,
E ele pode transformar toda mesmice
Em surpresa e em febril contemplação.

terça-feira, 9 de junho de 2009

O Mal Criar dos Olhos

Me perdoa se não sou capaz de educar os olhos. Eles passeiam por aí, têm vontade própria.
É num desses passeios que eles encontram você. Captam teus movimentos, tua forma...
Consigo resgatá-los em certos momentos. Ponho-os de castigo, você fora de vista...
Mas não há quem resista, não vou negar.
Tua cor forte os chama, eles me enganam, e a você se direcionam.
Perco parcialmente a calma.
Tua boca em um tom forte do meu vermelho predileto dá vida ao meu caos.
O desejo corre quente, o brilho extrapola, e me entrega.
Eu já nem mais insisto, me permito, me deixo te curtir.
Assim, de longe, mais longe, distante.
Até você sumir.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Supersônico

Supersônico
Cínico, irônico
Me tira do ciclo harmônico
E também vem me tomar o chão

Sincrônico, diacrônico
E por vezes até anacrônico
Volta e meia mostra-se mecânico
Eu já tenho tua previsão

Cético, patético
Estético, mimético
Sempre dentro desse padrão réplico
Tudo não passa de imitação

quinta-feira, 23 de abril de 2009

À Flor da Pele

É algo que evade, desguia. É energia que surge de onde não se tinha.
Interior implora, suplica. Quer ir embora de onde não se aplica.
Sentir na pele o que descrevem, à flor da pele toda a lisergia.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Plato-dependência

Odeio essa sensação. Admitir que dependo, dependo um tanto de você.
Sempre tive a mania de ser independente, auto-suficiente.
Chega você e me inverte, me reverte, me converte.
Não preciso de objeto, muito menos de carinho... Não é isso que me falta e nem é do meu feitio.
O que falta é o que eu muito tenho e muito sinto, que você nem sabe,
Mas que só você pode aqui entrar, aqui tirar...
Ou resolver de uma vez por todas por aqui ficar.

sábado, 11 de abril de 2009

Nômade

Alí, primeiro momento, sai do controle. Algo me puxa, me suga. Tanto em comum, sorrisos... palavras...
Vira a noite. Três da manhã. Tudo ainda brilha e horas parecem décadas. Já te conheço, só você não.
Trago guardada essa pseudo-confiança, logo a reverto em enganação.
Finjo pra mim o que sinto de mais forte.
Chegando o dia... O gosto do novo já vivido se descobre.
Amarga a boca, passo pra outra.
Tudo em vão.